Ismael Teixeira
Ela viu um dia pousar no seu quarto; com pés descalços um pobre passarinho. Vinha de árvores, vinha de galhos, vinha em frangalhos dos tantos sonhos que iam. Amparou-lhe com mãos discretas, contou-lhe histórias, costurou roupinhas e sem querer de repente os dois se encontraram: olhares, encantos e poesias. Mágico como um conto de fadas amaram-se, e escondidos ali fizeram um ninho. O pássaro pequeno foi crescendo, crescendo depressa e pensava em casar ter dinheiro e família. A menina em plumas sonhava na janela em sumir à tardinha com cada revoada que ia. Caminhos cruzados, caminhos contrários, foram descalços escapulindo a cada dia. Até que numa primavera de sol, no quarto iluminado não se ouviu mais piu, nem mais bom-dia. Onde foi o passarinho que até pouco se vestia? Já com óculos, barba e garantias saindo do banheiro para ganhar a vida não mais encontrou a menina. Desesperado, procurou até no armário, por onde foi essa menina? Correu para a janela - só da janela podia - e avistando uma revoada estava lá seu amor que partia. Tentando voar caiu no jardim, e correndo como um louco foi gritando: volta pra mim? Tarde demais. Pobre passarinho. Se confundia com os homens do caminho. Chamou um táxi. Mandou seguir aquelas coisas que cantavam. Ainda no trânsito, engarrafamento, ligou para a secretária se desculpando do atraso: Era só o que me faltava, uma relação sem salário. O táxi chegando até onde podia, despediu-se dele que correu como pôde até um morro onde poderia dizer a última mensagem. Uma mensagem de amor para a menina querida. Aqueles lindos pássaros, livres, belos ao vento, fez sentir um certo aperto, um determinado sentimento. Puxou do paletó uma arma e mirou numa ave bem bonita. Aquela era tão bela: Servirão as penas e a carne seria frita. Atirou com maestria. Como nunca se atirou em lugar algum. Matou a pobre vítima com astúcia e valentia. Correndo para ver seu presente fez tudo como planejava. A carne virou um prato, e as penas uma mortalha. Ainda hoje, no carnaval, o rapaz se veste de pássaro sonhando voar como um canário. Assim termina a história que um dia se fez nossa pobre família. Entrou pelo bico, saiu pelo papo, quem quiser outra que conte ao contrário.
*texto dedicado a minha atriz mais bela. Sempre me levas aos mais belos caminhos: "Como Almodóvar". Comi.
domingo, 12 de agosto de 2007
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Miúdos
Soul Sócrates
Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é este que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca.
Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é este que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca.
Carta - Oração a Maria
Raiça Bomfim
Venho aqui a confessar-te, Maria, não estar arrependida do que hoje é só memória, pois a estrada que uniu-nos me guiou a este lugar em que encontro outras venturas. Se, por amor de quem hoje te acompanha, eu, um dia, pobre humana, maculei-te em pensamento e, ainda àqueles tempos, tua candura d’algum jeito me aplacava, quando agora, cá de longe, vejo-te, a escolhida, tão serena em teu altar, e são outras minhas escolhas nessa vida, não restou mal no que sinto ao recordar-te. Ao olhar pra teu menino, esse teu menino santo, vendo o pai nascer no filho e os espíritos sorrirem, a beleza deu-se ao peito, e à mãe, minha senhora, de olhos brandos, de esperança, quem então não amaria? Acredite em meu intento, eu, Maria como tu, eu, das dores, cujas flechas, sim, sangraram-me teu nome, quando o que julguei ser meu abrigou-se em tua alcova, e cravaram-no tão fundo que até hoje, em alegria, ainda guardo a tua imagem. Pois agora venho a ti pra lhe dizer que o sentimento já é outro e procura tua palavra, pois da sina das Marias compartilho, e compreendo teus pesares, reconheço teus anseios, sei da dor do nosso tempo, da família, das raízes, da nossa velha cidade. Vamos todas nesse enlace, e em nós, ele é pungente, que há marcas que encobertam-se na alma e carecem de desvelo para não redescobrirem-se em postas sob a cruz que carregamos nas torrentes invernais. Se em meu caminho foi-me dada tua presença como a de outras e outros tantos, reconheço nos encontros a esperança desta raça, e ao nosso ainda falta o milagre da ternura. É por isso que aqui venho com lisura e abertos braços a esperar-te num sorriso, pois o laço do destino que uniu-nos, minha amiga, só desata a libertar-nos com um abraço.
Venho aqui a confessar-te, Maria, não estar arrependida do que hoje é só memória, pois a estrada que uniu-nos me guiou a este lugar em que encontro outras venturas. Se, por amor de quem hoje te acompanha, eu, um dia, pobre humana, maculei-te em pensamento e, ainda àqueles tempos, tua candura d’algum jeito me aplacava, quando agora, cá de longe, vejo-te, a escolhida, tão serena em teu altar, e são outras minhas escolhas nessa vida, não restou mal no que sinto ao recordar-te. Ao olhar pra teu menino, esse teu menino santo, vendo o pai nascer no filho e os espíritos sorrirem, a beleza deu-se ao peito, e à mãe, minha senhora, de olhos brandos, de esperança, quem então não amaria? Acredite em meu intento, eu, Maria como tu, eu, das dores, cujas flechas, sim, sangraram-me teu nome, quando o que julguei ser meu abrigou-se em tua alcova, e cravaram-no tão fundo que até hoje, em alegria, ainda guardo a tua imagem. Pois agora venho a ti pra lhe dizer que o sentimento já é outro e procura tua palavra, pois da sina das Marias compartilho, e compreendo teus pesares, reconheço teus anseios, sei da dor do nosso tempo, da família, das raízes, da nossa velha cidade. Vamos todas nesse enlace, e em nós, ele é pungente, que há marcas que encobertam-se na alma e carecem de desvelo para não redescobrirem-se em postas sob a cruz que carregamos nas torrentes invernais. Se em meu caminho foi-me dada tua presença como a de outras e outros tantos, reconheço nos encontros a esperança desta raça, e ao nosso ainda falta o milagre da ternura. É por isso que aqui venho com lisura e abertos braços a esperar-te num sorriso, pois o laço do destino que uniu-nos, minha amiga, só desata a libertar-nos com um abraço.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Barcarola
Ismael Teixeira
Beira do mar. Noite. Lua. O vento folheia seu caderno. Desfolha seus desejos. Pedaços de si voam. Ele sente. Sorri. Volta novamente seu olhar. Fixa o meio. O meio do mar é a agonia. Distante da utopia do horizonte. Da segurança da terra firme. Sereias. Tormentas. Ele sabe. Insiste. O caderno pára. Frases curtas aparecem. Um texto de pausas. De espera. Paciência. Espera de um barco. A ver surgir no mar. Uma barcarola que de há muito prometia o retorno. Lançada ao deus dará. Marcha na imensidão. Por toda a eternidade. Barcarola. Barcarola. O texto repetia essa nau. Como uma prece. Uma evocação. Um pedido de lamento. No silêncio de quem muito ainda espera. Ele coçava o nariz gelado. Esfregava os olhos. As olheiras cansadas. Há muito tempo. Tempo de noite sem fim. Lançavam-se ao mar todos que não falavam a verdade. Poetas. Loucos. Profetas. Artistas. Mendigos. Filósofos. Doentes. Todos que se negaram dizer a verdade. Naquele tempo havia só uma verdade. Como hoje. E foram ao mar. Todos. Não se sabem quantos barcos desses houveram. Muitos. Talvez. Alguns acreditam que o suficiente para expurgar da terra todos aqueles da mesma ousadia. E expulsaram. Até não sobrar nenhum. Nenhum capaz de inventar outra verdade. O sol continuou sol. O claro continuou claro. O dia continuou dia. Pessoas alegres transpiram. A mesma verdade de todo dia. Beira do mar ou horizonte. Nada estranho. Nenhuma agonia. Noite. Lua. O vento ainda folheia seu caderno. Desfolha seus desejos. Ele sente. Sorri. Volta novamente seu olhar. Fixa o meio. Insiste. Uma barcarola que de há muito prometia voltar. Voltará. Esqueceu um. Apenas um. Voltará.
Beira do mar. Noite. Lua. O vento folheia seu caderno. Desfolha seus desejos. Pedaços de si voam. Ele sente. Sorri. Volta novamente seu olhar. Fixa o meio. O meio do mar é a agonia. Distante da utopia do horizonte. Da segurança da terra firme. Sereias. Tormentas. Ele sabe. Insiste. O caderno pára. Frases curtas aparecem. Um texto de pausas. De espera. Paciência. Espera de um barco. A ver surgir no mar. Uma barcarola que de há muito prometia o retorno. Lançada ao deus dará. Marcha na imensidão. Por toda a eternidade. Barcarola. Barcarola. O texto repetia essa nau. Como uma prece. Uma evocação. Um pedido de lamento. No silêncio de quem muito ainda espera. Ele coçava o nariz gelado. Esfregava os olhos. As olheiras cansadas. Há muito tempo. Tempo de noite sem fim. Lançavam-se ao mar todos que não falavam a verdade. Poetas. Loucos. Profetas. Artistas. Mendigos. Filósofos. Doentes. Todos que se negaram dizer a verdade. Naquele tempo havia só uma verdade. Como hoje. E foram ao mar. Todos. Não se sabem quantos barcos desses houveram. Muitos. Talvez. Alguns acreditam que o suficiente para expurgar da terra todos aqueles da mesma ousadia. E expulsaram. Até não sobrar nenhum. Nenhum capaz de inventar outra verdade. O sol continuou sol. O claro continuou claro. O dia continuou dia. Pessoas alegres transpiram. A mesma verdade de todo dia. Beira do mar ou horizonte. Nada estranho. Nenhuma agonia. Noite. Lua. O vento ainda folheia seu caderno. Desfolha seus desejos. Ele sente. Sorri. Volta novamente seu olhar. Fixa o meio. Insiste. Uma barcarola que de há muito prometia voltar. Voltará. Esqueceu um. Apenas um. Voltará.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Escritos sobre a Greve - 6º PARTE
Soul Sócrates
As moças e moços das lojas de grife conduziam os maniquins até o camarim, ali, trocariam as vestimentas e receberiam o roteiro do diretor de arte e fotografia da nova coleção, que nas entrelinhas mandava que fizessem caras e bocas,esboçando um ar melancólico e distraído. Com os olhos voltados para o horizonte, retornariam até a vitrine - andando feito emas- após serem devidamente maquiadas e assumiriam, definitivamente, o lugar dos centros de meteorologia, indicando a mudança de estação, desempregando milhares de moças que um dia esperavam ser ancôras do telejornal das oito horas. Era o último sinal necessário para os dirigentes majoritários do partido maior anunciarem aos alto-falantes e aos carros de som, a abertura do cadastramento final dos participantes do nonogésimo simpósio vermelho cor de esperança. E quem era o primeiro e único da fila. O menino de braços cruzados, que aguardava a escrivã fulana de tal completar o último mover do mouse para finalizar uma jogada de um game curiosamente apelidado de paciência. O semblante preocupado e tenso de outrora mudou na mesma medida das partes aparentemente desconexas desta narrativa, que encontrou no artifício do ocultamento a fórmula do suspense, capaz de segurar a atenção do leitor até a parte posterior desses Escritos sobre a greve, que irá revelar, quem sabe na próxima leitura, qual será a palavra cantarolada pela imensa massa silenciosa filiada ao partido maior.
Escritos sobre a Greve - 1º PARTE
Escritos sobre a Greve - 2º PARTE
Escritos sobre a Greve - 3º PARTE
Escritos sobre a Greve - 4º PARTE
Escritos sobre a Greve - 5º PARTE
As moças e moços das lojas de grife conduziam os maniquins até o camarim, ali, trocariam as vestimentas e receberiam o roteiro do diretor de arte e fotografia da nova coleção, que nas entrelinhas mandava que fizessem caras e bocas,esboçando um ar melancólico e distraído. Com os olhos voltados para o horizonte, retornariam até a vitrine - andando feito emas- após serem devidamente maquiadas e assumiriam, definitivamente, o lugar dos centros de meteorologia, indicando a mudança de estação, desempregando milhares de moças que um dia esperavam ser ancôras do telejornal das oito horas. Era o último sinal necessário para os dirigentes majoritários do partido maior anunciarem aos alto-falantes e aos carros de som, a abertura do cadastramento final dos participantes do nonogésimo simpósio vermelho cor de esperança. E quem era o primeiro e único da fila. O menino de braços cruzados, que aguardava a escrivã fulana de tal completar o último mover do mouse para finalizar uma jogada de um game curiosamente apelidado de paciência. O semblante preocupado e tenso de outrora mudou na mesma medida das partes aparentemente desconexas desta narrativa, que encontrou no artifício do ocultamento a fórmula do suspense, capaz de segurar a atenção do leitor até a parte posterior desses Escritos sobre a greve, que irá revelar, quem sabe na próxima leitura, qual será a palavra cantarolada pela imensa massa silenciosa filiada ao partido maior.
Escritos sobre a Greve - 1º PARTE
Escritos sobre a Greve - 2º PARTE
Escritos sobre a Greve - 3º PARTE
Escritos sobre a Greve - 4º PARTE
Escritos sobre a Greve - 5º PARTE
Escritos sobre a greve - 5º PARTE
Soul Sócrates
Com pressa nas estribeiras, corria amendrontado pela via principal, braços encolhidos, pernas truncadas, cabeça baixa. Os signos e os sentidos daquele folheto pertubavam cada vírgula da sua cuca, que desabituada ao exercício das respostas, procurava encontrar - uma incerteza que fosse - naqueles escritos, pois, era na dúvida que ele existia. Nunca procurou um mundo pronto, nem tinha qualquer pretensão - ao realizar tantas perguntas - de formular uma teoria que abarcasse em sua totalidade a imensa e complexa contradição presente na realidade. Mas, tudo estava latente e tilintava como uma torneira semi-aberta na pia de lavar pratos que se tornou a sua mente. Ao ler e sentir a retina aprofundar linha por linha, o menino pós - engessamento começou a andar em círculos e esperar que as palavras repousassem sobre as vísceras do seu pensamento. Elas fervilhavam, pulavam, cantavam, marchavam íngremes sobre a alvorada da razão, que explodia os porões da inconsciência, condenando os sonhos, a fé e a esperança à uma mensagem chamada verdade. Sem versões, ângulo, perspectiva, juízo, lado, sinopse, resumo ou interpretação. Pura, insossa, seca, direta e objetiva. A verdade veio inteira, sem atalhos ou qualquer mapa para indicar o caminho. Era ela e pronto. Estava decidido. O nonagésimo simpósio do partido maior seria marcado pelo grito da palavra. O manifesto, o estatuto, as cartas, o regimento interno do partido, as teses, as resoluções e emendas, tudo estava fadado ao fim. Assim dizia a mensagem. A desconstrução, o desbotamento, o rosto incolor e pálido daquele menino entristecia até mesmo o mais bobo dos palhaços, que não tinha sequer o gesso branco e rígido sobre o braço dormente a disposição para escrever qualquer coisa alegre ou engraçada, capaz de abrir um sorriso, mesmo que de canto de boca, amarelo ou cor parecida no semblante fúnebre que tomava pouco a pouco a forma predominante da sua face. A verdade tomou-lhe a alma e a palavra adormecida contava os dias para ser pronunciada novamente. Depois de ler o panfleto descartável, o menino e os palhaços postos "logo atrás" por acaso, descobriram até mesmo por quem seria dita a palavra inaudita, mas, não acreditavam. Sem ataduras, esparadapos ou qualquer curativo, o menino teria sido resignado a concretizar a façanha. E os palhaços. Os palhaços surgiram por acaso, como numa cena ionesca.
Escritos sobre a Greve - 1º PARTE
Escritos sobre a Greve - 2º PARTE
Escritos sobre a Greve - 3º PARTE
Escritos sobre a Greve - 4º PARTE
Com pressa nas estribeiras, corria amendrontado pela via principal, braços encolhidos, pernas truncadas, cabeça baixa. Os signos e os sentidos daquele folheto pertubavam cada vírgula da sua cuca, que desabituada ao exercício das respostas, procurava encontrar - uma incerteza que fosse - naqueles escritos, pois, era na dúvida que ele existia. Nunca procurou um mundo pronto, nem tinha qualquer pretensão - ao realizar tantas perguntas - de formular uma teoria que abarcasse em sua totalidade a imensa e complexa contradição presente na realidade. Mas, tudo estava latente e tilintava como uma torneira semi-aberta na pia de lavar pratos que se tornou a sua mente. Ao ler e sentir a retina aprofundar linha por linha, o menino pós - engessamento começou a andar em círculos e esperar que as palavras repousassem sobre as vísceras do seu pensamento. Elas fervilhavam, pulavam, cantavam, marchavam íngremes sobre a alvorada da razão, que explodia os porões da inconsciência, condenando os sonhos, a fé e a esperança à uma mensagem chamada verdade. Sem versões, ângulo, perspectiva, juízo, lado, sinopse, resumo ou interpretação. Pura, insossa, seca, direta e objetiva. A verdade veio inteira, sem atalhos ou qualquer mapa para indicar o caminho. Era ela e pronto. Estava decidido. O nonagésimo simpósio do partido maior seria marcado pelo grito da palavra. O manifesto, o estatuto, as cartas, o regimento interno do partido, as teses, as resoluções e emendas, tudo estava fadado ao fim. Assim dizia a mensagem. A desconstrução, o desbotamento, o rosto incolor e pálido daquele menino entristecia até mesmo o mais bobo dos palhaços, que não tinha sequer o gesso branco e rígido sobre o braço dormente a disposição para escrever qualquer coisa alegre ou engraçada, capaz de abrir um sorriso, mesmo que de canto de boca, amarelo ou cor parecida no semblante fúnebre que tomava pouco a pouco a forma predominante da sua face. A verdade tomou-lhe a alma e a palavra adormecida contava os dias para ser pronunciada novamente. Depois de ler o panfleto descartável, o menino e os palhaços postos "logo atrás" por acaso, descobriram até mesmo por quem seria dita a palavra inaudita, mas, não acreditavam. Sem ataduras, esparadapos ou qualquer curativo, o menino teria sido resignado a concretizar a façanha. E os palhaços. Os palhaços surgiram por acaso, como numa cena ionesca.
Escritos sobre a Greve - 1º PARTE
Escritos sobre a Greve - 2º PARTE
Escritos sobre a Greve - 3º PARTE
Escritos sobre a Greve - 4º PARTE
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Partitura - Estudo 1 Menuetto
Ismael Teixeira
Caras mãos. Mãos bailarinas. Sufocam e matam o silêncio. Num gesto mudo. Leve. Ríspido. Caras mãos. Mãos sozinhas. Dançam. Dançam. A música que nasce de suas acrobacias. Mãos cegas. Surdas. Mãos sem guia. Seguem nuas. Calmas. Em agonia. Vejo-as saírem porta afora. Vejo-as voarem vento agora. Janelas. Palácios. Tabernas. Vejam-nas. Vejam-nas suarem como dia. Vejam-nas como desfalecem. Tremem. Tremem. Tremem. Histórias inteiras sem voz. Caras Mãos. Mãos que chamam em linguagem dos surdos as lágrimas. Chamam pelas almas. Esquecidas. Caras mãos. Musicais. Musicais. Distraídas.
Está bom?
Penso que o início está interessante. Gosto de peças em dó maior. Entretanto a virada. Na virada poderia haver uma quebra. Poderíamos entrar com outro tema. As mãos poderiam ficar violentas. Uma quebra com um si bemol. Variações de violino. Com entradas de um grave ao fundo. Marcação de um compasso lento, pausa e voltamos ao tema inicial.
O que acha?
Mãos. Dissentes. Mãos. Dissentes. Mãos. Deveras sentes. Dissidentes. Outras. Cão. Mãos. Flechas de mãos. Rubra. Noite. Rubra. Açoites. Gemes. Mãos. Não. Não. Não.
Assim?
Sim. Sim. Continue.
Caras mãos. Mãos bailarinas. Sufocam e matam o silêncio. Num gesto mudo. Leve. Ríspido. Caras mãos. Mãos sozinhas. Dançam. Dançam. A música que nasce de suas acrobacias. Mãos cegas. Surdas. Mãos sem guia. Seguem nuas. Calmas. Em agonia. Vejo-as saírem porta afora. Vejo-as voarem vento agora. Janelas. Palácios. Tabernas. Vejam-nas. Vejam-nas suarem como dia. Vejam-nas como desfalecem. Tremem. Tremem. Tremem. Histórias inteiras sem voz. Caras Mãos. Mãos que chamam em linguagem dos surdos as lágrimas. Chamam pelas almas. Esquecidas. Caras mãos. Musicais. Musicais. Distraídas.
Está bom?
Penso que o início está interessante. Gosto de peças em dó maior. Entretanto a virada. Na virada poderia haver uma quebra. Poderíamos entrar com outro tema. As mãos poderiam ficar violentas. Uma quebra com um si bemol. Variações de violino. Com entradas de um grave ao fundo. Marcação de um compasso lento, pausa e voltamos ao tema inicial.
O que acha?
Mãos. Dissentes. Mãos. Dissentes. Mãos. Deveras sentes. Dissidentes. Outras. Cão. Mãos. Flechas de mãos. Rubra. Noite. Rubra. Açoites. Gemes. Mãos. Não. Não. Não.
Assim?
Sim. Sim. Continue.
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