Soul Sócrates
O interminável dia de amanhã pra começar deveria terminar hoje
O meu futuro desejável, que guardou numa cápsula do tempo o silêncio de São Paulo
Obs: texto inacabado como o tempo.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
E eu
Raiça Bomfim
a rua e eu
os passantes e eu
os carros e eu
a tarde e eu
o mar e eu
a brisa e eu
o mundo e eu
só penso em
você
os passantes e eu
os carros e eu
a tarde e eu
o mar e eu
a brisa e eu
o mundo e eu
só penso em
você
De cajú em cajú
Luana Gomes
Num dia assim
acordo eu na estação das ideias
De cajú em cajú
florescem letras
Tempo de colher pedaços maduros de alma
Chupar o sumo da fruta verso
Sabor caju
Passa verão passa inverno
Folha que pende da cabeça árvore
Uni verso
Mas só de cajú em cajú
Valorizar cada cor, sabor e cheiro de flor pensamento
Entresafra necessária de silêncio
pra recuperar o solo dor
O arrancar de raizes na colheita da vida
E eis que renasce a estação das ideias
Sinto uma nova plantação nascer em mim
Florida
Num dia assim
acordo eu na estação das ideias
De cajú em cajú
florescem letras
Tempo de colher pedaços maduros de alma
Chupar o sumo da fruta verso
Sabor caju
Passa verão passa inverno
Folha que pende da cabeça árvore
Uni verso
Mas só de cajú em cajú
Valorizar cada cor, sabor e cheiro de flor pensamento
Entresafra necessária de silêncio
pra recuperar o solo dor
O arrancar de raizes na colheita da vida
E eis que renasce a estação das ideias
Sinto uma nova plantação nascer em mim
Florida
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
As palavras não dizem mais do que sinto
Soul Sócrates
As palavras não dizem mais do que sinto
Nem resvalam por centímetros nas minhas sensações
Não estão por perto quando gozo
Nem escutam os seus gemidos
As palavras falam mal do infinito
Por alguns instantes até perdem o sentido
Elas não dizem mais do que sinto
As vezes se esquecem do passado
E não carregam na memória os beijos, os abraços, os sorrisos
As palavras são vazias
E não dizem mais do que sinto
São simplesmente escritas, perdidas entre um pensamento e uma ilusão
Mas, o que as palavras não dizem neste dia
EU digo sem usá-las
Apenas lhe sentindo
As palavras não dizem mais do que sinto
Nem resvalam por centímetros nas minhas sensações
Não estão por perto quando gozo
Nem escutam os seus gemidos
As palavras falam mal do infinito
Por alguns instantes até perdem o sentido
Elas não dizem mais do que sinto
As vezes se esquecem do passado
E não carregam na memória os beijos, os abraços, os sorrisos
As palavras são vazias
E não dizem mais do que sinto
São simplesmente escritas, perdidas entre um pensamento e uma ilusão
Mas, o que as palavras não dizem neste dia
EU digo sem usá-las
Apenas lhe sentindo
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Até um dia
Soul Sócrates
Nas ruas vazias da cidade vejo sombras
Também vejo cores, humores, sabores diferentes
Interessantes
Mudanças repentinas retidas em imagens escondidas nos becos, guetos, favelas
Vejo sombras e almas penadas, pesadas, cansadas de viver no meio de tudo isto
No meio de tudo isto
E o que não vejo
Desejo
Quem sabe um beijo perdido numa esquina de uma menina
Talvez apenas ela
Sem meias palavras
Sem perguntas
Sem ninguém para atrapalhar a nossa viajem
As nossas bobagens sussurradas no ouvido
Empurradas de um abismo, de um precipício
Longe do hospício das ruas vazias
Dos bares
Das casas
Distante das mentiras e das verdades prontas
Mas abraçado ao papo furado do mendigo ali da frente
Dali até cem anos atrás
Até um dia
Quem sabe
Nas ruas vazias da cidade vejo sombras
Também vejo cores, humores, sabores diferentes
Interessantes
Mudanças repentinas retidas em imagens escondidas nos becos, guetos, favelas
Vejo sombras e almas penadas, pesadas, cansadas de viver no meio de tudo isto
No meio de tudo isto
E o que não vejo
Desejo
Quem sabe um beijo perdido numa esquina de uma menina
Talvez apenas ela
Sem meias palavras
Sem perguntas
Sem ninguém para atrapalhar a nossa viajem
As nossas bobagens sussurradas no ouvido
Empurradas de um abismo, de um precipício
Longe do hospício das ruas vazias
Dos bares
Das casas
Distante das mentiras e das verdades prontas
Mas abraçado ao papo furado do mendigo ali da frente
Dali até cem anos atrás
Até um dia
Quem sabe
Até logo
Soul Sócrates
Você andava com a pressa
E ao lado dela
não percebia
que a pressa
ninguém consegue acompanhar
perde-se no meio do caminho
entre um beijo e
um até logo
Você andava com a pressa
E ao lado dela
não percebia
que a pressa
ninguém consegue acompanhar
perde-se no meio do caminho
entre um beijo e
um até logo
Bandido ou detetive?
Soul Sócrates
Não era bela, tão pouco feia. Uma pessoa comum. Entrou na livraria aparentando naturalidade. Havia sobre ela uma sensação de prazer que parecia nascer do próprio medo. Tinha a um tempo, a consciência do perigo que ia correr e a certeza de uma suposta superioridade: pensava que sabia de tudo e os que estavam em volta não sabiam de nada. Imaginava comandar a situação. O prazer era como aquele que, o leitor no seu tempo de menino, fazia-o optar pelo papel do bandido e não do detetive.
Ela examinou com cuidado a situação. O vendedor mais próximo atendia um freguês. Ao fundo, outro vendedor descia a escada encostada à estante, carregando uma pilha de livros. Por capricho, a mulher pleiteava nas prateleiras um exemplar de "Um Ensaio Sobre a Cegueira", do escritor português, José Saramago. Desistiu. Pensei: muito largo, vai dar na vista dos vendedores. Acabou decidindo-se pela prata da casa: uma edição nova dos poemas de Castro Alves. Era estreito, pouco suspeito. Lentos, seus dedos tocaram o volume e o retiraram com cuidado da prateleira. Um vendedor, ao lado dela, procurava um livro na estante. Pôs-se a folhear o livro, atenta aos menores movimentos do homem ao lado. Ele se afastou sem olha-la. Foi ai que aconteceu uma destas coisas que só vemos em filmes e novelas:o vendedor na escada deixou cair com estrépito alguns volumes que carregava. Todos os olhares convergiram-se para ele, menos o meu. Bastou um segundo – segundo que ela se aproveitou para enfiar o livro entre as folhas do jornal que trazia debaixo do braço – para ela. Sem pestanejar, apanhou outro livro para despistar: “Crime e Castigo”, que ironia. Dostoievski jamais poderia ter sido tão contundente. Colocou o exemplar no lugar. E olhou sem pensar, na certa, certificando-se que ninguém a havia visto. Ali eu estava, sentado, com os olhos fixos em um exemplar pouco comemorado, mas, bastante sugestivo para a ocasião: “Ainda lembro”, do jornalista baiano, Jean Wyllys, vencedor de um programa que tem o dia a dia de pessoas confinadas numa casa, como conteúdo de um show, dito, da realidade. Esboçou espanto. Ficou parada, a poucos passos me olhando. Fiz que não vi. Deve ter pensado: talvez, o rapaz esteja esperando que eu fizesse menção de sair, para me pegar com a boca na botija. Parecia sentir que eu sabia de tudo e ela, agora, não sabia de nada. Invertiam-se os papéis. Apanhada na armadilha que ela mesma havia montado, ela olhava ao redor, incapaz de qualquer reação. Eu continuava folheando o livro do Jean. Aos poucos ela foi se acalmando. “Não, ele não viu nada”, pensou. “Ninguém me descobrira, que bobagem era aquela, sem mais nem menos?” , como se dissesse para si mesma, ande, vamos, siga em frente. Decidiu acabar logo com tudo aquilo: agora ou nunca! Apertou o jornal com o braço e avançou firme até a porta. Foi quando me levantei. Ela hesitou e eu saí pela porta, carregando um exemplar nas mãos.
Não era bela, tão pouco feia. Uma pessoa comum. Entrou na livraria aparentando naturalidade. Havia sobre ela uma sensação de prazer que parecia nascer do próprio medo. Tinha a um tempo, a consciência do perigo que ia correr e a certeza de uma suposta superioridade: pensava que sabia de tudo e os que estavam em volta não sabiam de nada. Imaginava comandar a situação. O prazer era como aquele que, o leitor no seu tempo de menino, fazia-o optar pelo papel do bandido e não do detetive.
Ela examinou com cuidado a situação. O vendedor mais próximo atendia um freguês. Ao fundo, outro vendedor descia a escada encostada à estante, carregando uma pilha de livros. Por capricho, a mulher pleiteava nas prateleiras um exemplar de "Um Ensaio Sobre a Cegueira", do escritor português, José Saramago. Desistiu. Pensei: muito largo, vai dar na vista dos vendedores. Acabou decidindo-se pela prata da casa: uma edição nova dos poemas de Castro Alves. Era estreito, pouco suspeito. Lentos, seus dedos tocaram o volume e o retiraram com cuidado da prateleira. Um vendedor, ao lado dela, procurava um livro na estante. Pôs-se a folhear o livro, atenta aos menores movimentos do homem ao lado. Ele se afastou sem olha-la. Foi ai que aconteceu uma destas coisas que só vemos em filmes e novelas:o vendedor na escada deixou cair com estrépito alguns volumes que carregava. Todos os olhares convergiram-se para ele, menos o meu. Bastou um segundo – segundo que ela se aproveitou para enfiar o livro entre as folhas do jornal que trazia debaixo do braço – para ela. Sem pestanejar, apanhou outro livro para despistar: “Crime e Castigo”, que ironia. Dostoievski jamais poderia ter sido tão contundente. Colocou o exemplar no lugar. E olhou sem pensar, na certa, certificando-se que ninguém a havia visto. Ali eu estava, sentado, com os olhos fixos em um exemplar pouco comemorado, mas, bastante sugestivo para a ocasião: “Ainda lembro”, do jornalista baiano, Jean Wyllys, vencedor de um programa que tem o dia a dia de pessoas confinadas numa casa, como conteúdo de um show, dito, da realidade. Esboçou espanto. Ficou parada, a poucos passos me olhando. Fiz que não vi. Deve ter pensado: talvez, o rapaz esteja esperando que eu fizesse menção de sair, para me pegar com a boca na botija. Parecia sentir que eu sabia de tudo e ela, agora, não sabia de nada. Invertiam-se os papéis. Apanhada na armadilha que ela mesma havia montado, ela olhava ao redor, incapaz de qualquer reação. Eu continuava folheando o livro do Jean. Aos poucos ela foi se acalmando. “Não, ele não viu nada”, pensou. “Ninguém me descobrira, que bobagem era aquela, sem mais nem menos?” , como se dissesse para si mesma, ande, vamos, siga em frente. Decidiu acabar logo com tudo aquilo: agora ou nunca! Apertou o jornal com o braço e avançou firme até a porta. Foi quando me levantei. Ela hesitou e eu saí pela porta, carregando um exemplar nas mãos.
Vai passar
Soul Sócrates
Assim como o outono das folhas secas e mortas uma vez por ano no Central
Park, assim como aquele dia na Espanha
Assim vamos passar todos pelo mesmo caminho
entre a vida e a morte
Entre o passado e o futuro
Entre o barulho e a melodia
Assim vamos passar por muitos dias que virão
Dias com tarde sombria e noites clareadas pela lua cheia fumegando nos
nossos olhos
Assim estaremos em Seattle
como Hendrix e os outros meninos do oeste
Assim somos
assim as coisas devem passar
Andando como os Besouros em uma rua
Passeando como King por uma guitarra
Assim as coisas vão passar
pois elas devem e vão
passar
Assim como o outono das folhas secas e mortas uma vez por ano no Central
Park, assim como aquele dia na Espanha
Assim vamos passar todos pelo mesmo caminho
entre a vida e a morte
Entre o passado e o futuro
Entre o barulho e a melodia
Assim vamos passar por muitos dias que virão
Dias com tarde sombria e noites clareadas pela lua cheia fumegando nos
nossos olhos
Assim estaremos em Seattle
como Hendrix e os outros meninos do oeste
Assim somos
assim as coisas devem passar
Andando como os Besouros em uma rua
Passeando como King por uma guitarra
Assim as coisas vão passar
pois elas devem e vão
passar
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