domingo, 28 de outubro de 2007

A primeira cena 2

Soul Sócrates

O olhar transbordou a primeira cena. Não era verdade. Não era real. Nem mentira. Tão pouco, fantasia. O que se via era a abertura. Sem cortinas. A apresentação do que viria a ser. E ali estava. Virava para um lado. Mexia as mãos. Era o que se via. Era o que viria. Era o que iria. Restava o que estava dentro do quadrado. A primeira expectativa mágica evaporou. Os cortes se foram com as cortinas e as cercas. Não seriam cortes. Não seriam cortinas. Não seriam cercas. Era o quadrado. Bastava. Os gestos demoraram a dizer. Não era mudo. Nem cinema novo. Tão pouco documentário. Sem prosa. Restava o olhar que pouco a pouco ia se abrindo. Rompendo cercas, cortinas e cortes. Uma insistente permanência do olhar. Que transbordava. E aos poucos os cacos se juntavam. O quadrado revelava a troca dos olhares entre a câmera, o olhar por de trás dela, mas que também estava à frente, no lado, e que aos poucos se viam juntos. Todos abertos e a contemplar o momento. Portanto, não era a imagem. Não era o diálogo. Era o momento compartilhado. O ato de compartilhar. A terra. A luta. A tela.

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