quarta-feira, 12 de março de 2008

Lia, a azarenta

Chico Alves

Lia era igual a Glauber, queria morrer as 42. Sua vida era uma merda total. Seu namorado era gordo, feio, e ruim de cama. Ela nunca tinha gozado. Sentia-se a mulher mais infeliz do mundo. Lia tinha pressa. Achava que morrer era a solução para aquela vida fudida que levava. Se existisse vida depois da morte, talvez lá fosse um pouquinho mais feliz.
Lia queria morrer logo, e até o inútil do seu namoro prometeu ajuda-la. Jorge garantiu que um dia qualquer poderia a estrangular, ou a afogar numa praia qualquer ou até mesmo, dar um tiro seco bem no meu dos peitos. Lia queria morrer. Queria a morte lhe fosse leve. Preferia morrer como nos livros do Garcia Márquez.
Lia decidiu sair para pensar numa melhor forma de se matar. Seu segundo gole foi interrompido por Glória, sua meio-irmã. Depois de uma noite de esbórnia, Lia mal conseguia andar. Entrou no carro, acelerou fundo e, finalmente conseguiria morrer. Seu Fusca 77 capotou 3 vezes.

- Que azar do caralho! Disse uma semana depois de acordar sem um aranhão sequer num quarto vagabundo no Roberto Santos.

6 comentários:

Anônimo disse...

Estou realmente pasmo com o sarcasmo deste autor! Gosto, principalmente, da coerência dele.

Anônimo disse...

Para quem adorou o filme "O Segredo", esse conto é um ótimo estimulante.

Efeso disse...

A proposta é boa e a escrita tem um caminho interessante. Mas há muito erro de digitação e troca de palavras, o que diminui o texto e lhe tira força. Piora quando há excesso de palavrões em frases desnecessárias, tira o impacto e os torna sem sentido. o caminho é bom mas imaturo.

Anônimo disse...

Interessante a ironia. O estilo debochado e vulgar do escritor. A velocidade com o qual discorre a narrativa como se contasse um "causo" numa mesa de cerveja. Tenho a necessidade, enquanto leitor, no entanto, de ler o não escrito. Algo que a Clarice Lispector chama de capacidade do escritor de esconder as palvras. É como se o texto tivesse ali, mas também parte dele vagasse em algum lugar onde o leitor vagamente pescará os mistérios. A simplicidade das linhas não se deve confundir com a capacidade do escritor de tornar o texto maior do que realmente é. O escritor contemporâneo, segundo Píglia, autor argentino de belíssimos livros, é um estudioso da literatura, ou seja, um ser capaz de não só redigir fatos literários, mas dialogar com os diversos discursos neles implicados. Entretanto, o estilo é livre, e aqui, tudoé possível.

ismael.

Anônimo disse...

É preciso concordar com Efeso aplaudir a descrição brilhantemente de Ismael Teixeira sobre o autor contemporâneo.
Contudo, gostaria de ressaltar a coerência deste autor (Chico Alves), que até então demonstrou o quanto o cotidiano é repleto de peripécias irônicas e perversas sobre a sorte e o azar das pessoas que pairam sobre o imaginários dos escritores.
Mas é preciso avançar muito mais. Borges também destaca que a literatura não é uma exercício simples de contar histórias. Não pode ser apenas isso.
Contudo, gosto do estilo de Chico Alves, principalmente, da maneira peculiar que descaracteriza o diálogo formal: a vulgaridade para mim é um adjetivo.

MeL Adún disse...

Gosto da proposta de Chico (grande Chico!!!), mas senti no texto a pressa de Lia... gosto de quero mais na boca... taí, é uma proposta, que tal escrever a parte II? Vou adorar me sentir comprometida a ler os textos do meu querido amigo Chico Alves!
Axé sempre